Tomás Bandeira a falar numa sessão de sensibilização sobre Direitos Humanos, na quarta-feira, dia 22 de janeiro, na Escola Secundária do AEMaximinos, transmitiu aos alunos que são eles que têm de dar “o primeiro passo” para haver mudança. O jovem médico, natural de Braga, vive actualmente na Suíça. Pelo caminho esteve seis meses a viver no México e enquanto estudante de Medicina trabalhou com migrantes de países da América-Central, que seguem de comboio em direcção ao EUA. Tomás Bandeira contou ainda uma segunda experiência vivida na ilha de Lesbos, na Grécia, onde esteve integrado numa organização de apoio humanitário a refugiados. Seguiu-se mais uma missão em Moçambique.
Mas a situação vivida no Sahara Ocidental foi a que mais marcou o jovem bracarense. “A situação vivida no Sahara Ocidental foi a mais forte para mim e daí surgiu vontade para escrever o meu livro-romance ‘Zhara’, que relata histórias de vida de quem lá vive”, contou Tomás Bandeira, contando que “as pessoas vivem em acampamentos de refugiados no meio do deserto, numa região tão seca, que não podem plantar e estão dependentes da distribuição da água”. O médico aproveitou para partilhar com os alunos inúmeras históricas ali vividas. “As pessoas vivem a céu aberto e no fundo estão numa prisão a céu aberto, porque a questão política não permite que saiam de lá e esta é uma situação que dura há 45 anos”, retratou Tomás Bandeira, referindo que conviveu com jovens da sua idade que já nasceram lá. “O que mais me chocou foi a relação entre a frustração e a esperança e como é possível manter uma esperança numa situação daquelas”, confidenciou. Para a coordenadora do Plano Plurianual de Melhoria da Escola Secundária de Maximinos, Teresa Barbosa, esta sessão foi ao encontro da disciplina ‘Cidadania e Desenvolvimento’, que é “trabalhada numa perspectiva de interdisciplinaridade”. Para a professora este testemunho na primeira pessoa de um jovem com idade próxima dos alunos seria “muito interessante”. A assistir à sessão de sensibilização, para além dos alunos do 11.º ano também participaram os estudantes de uma turma do 7.º ano, que o ano passado realizaram um trabalho no âmbito do projecto Erasmus + ‘Lifeboat full of hopes’. “Os alunos fizeram recolhas, viram filmes com testemunhos de pessoas que fugiram do Afeganistão e acompanharam a viagem até à Grécia. Em sala de aula, os alunos choraram e ficaram muito sensibilizados com tudo o que viram e ouviram”, lembrou a professora, adiantando que do trabalho realizado resultou o livro ‘Mohi’, que conta a história de vida de um rapaz que partiu do Afeganistão.










